Sinais e sintomas de Depressão


Texto por:

Rafael T. de Sousa

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A depressão (ou transtorno depressivo maior) é uma doença psiquiátrica muito frequente, podendo acometer até 15% da população durante a vida. É a 3ª maior causa de incapacidade no mundo. Assim sendo, o diagnóstico precoce de depressão é essencial para diminuir os riscos associados a esse transtorno, permitindo o início do tratamento adequado.

Os critérios do  manual de referência em Psiquiatria, DSM-V, para identificação da depressão compreendem a presença de parte dos seguintes sintomas por um período de ao menos duas semanas, sendo que esses representam uma mudança no funcionamento anterior do indivíduo.

Os sintomas estão exemplificados e explicados abaixo.

 

  • Alterações de humor:

 

  • Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relato subjetivo (p. ex., sente-se triste, vazio, sem esperança) ou por observação feita por outras pessoas (p. ex., parece choroso). (Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável).

Nota: o humor deprimido não deve ser confundido com o sentimento de tristeza, que é natural frente a variadas situações até mesmo cotidianas. No humor deprimido, a intensidade da tristeza é maior e mais constante, por isso diferente do padrão habitual do indivíduo.

 

  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias (não meramente auto recriminação ou culpa por estar doente).

Nota: a pessoa pode se sentir culpada por conflitos familiares ou sociais, mesmo quando não teve qualquer participação no conflito. Pode se sentir também culpada pela dificuldade em lidar com as demandas do dia-a-dia em virtude das limitações impostas pelos sintomas.

Em situações menos comuns, essa culpa pode se estender a questões claramente improváveis, como a situação de rua em que se encontram milhares de pessoas pobres, considerada nesse caso uma culpa delirante.

  • Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.

Nota: não é incomum pessoas dizerem que gostariam que “Deus as levasse” e que não sentem mais vontade de viver, muito embora não pensem em cometer algo contra si mesmas.

 

  • Alterações de volição:

 

  • Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicada por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas).

Nota: é importante a pessoa avaliar as atividades que costumava realizar e que lhe traziam uma sensação prazerosa. Pode ser um encontro de amigos para uma conversa, assistir a um jogo de futebol, ler um livro ou assistir a um programa de TV.

Uma redução na procura por essas atividades e/ou na sensação de prazer que sentia quando as realizava representa uma das características mais centrais da depressão.

 

 

  • Sintomas cognitivos:

 

  • Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas). 

Nota: queixas de prejuízo na memória são comuns em pacientes com depressão. O paciente pode referir dificuldades para se lembrar de eventos recentes, o que muitas vezes está associado a um déficit na atenção, muito frequente em indivíduos deprimidos.

Também pode haver dificuldade para o planejamento e execução de tarefas, seja no trabalho ou domésticas.

 

  • Prejuízo das atividades cotidianas:

 

  • Fadiga ou perda de energia quase todos os dias.

Nota: a pessoa pode referir cansaço diário, mais frequente que o habitual, ou para esforços, que em um período recente, não lhe causavam dificuldades. Por exemplo, referir fadiga após um passeio que costumava fazer com a família ou mesmo deixar de ir por se sentir com pouca energia.

 

  • Alterações somáticas ou “físicas”:

 

  • Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta (p. ex., uma alteração de mais de 5% do peso corporal em um mês), ou redução ou aumento do apetite quase todos os dias. (Em crianças, considerar o insucesso em obter o ganho de peso esperado).

Nota: nesse caso é importante ficar claro que as alterações de peso não são decorrentes de mudança voluntária na ingesta calórica, com intenção de ganhar ou perder peso.

  • Perda de interesse em sexo (libido diminuída).
  • Alterações gastrointestinais (dor abdominal, diarreia, constipação, azia).
  • Alterações do sono.

Nota: a insônia pode ser inicial com dificuldade para adormecer, intermediária, caracterizada por um sono muitas vezes interrompido, com despertares frequentes, e/ou insônia final, quando o paciente acorda, mas não consegue voltar a dormir.

Alguns pacientes, ao contrário, se queixam de hipersonia, por exemplo, com intensa sonolência diurna.

Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras pessoas, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento). 

Nota: se a agitação está presente, ela normalmente é consequência de um aumento de ansiedade.

 

 

  • Sintomas ansiosos.

 

Nota: é muito comum na depressão os pacientes se queixarem de tensão, apreensão e preocupação com problemas e situações que antes não lhe causavam desconforto.

 

Além disso, esses sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. É importante que os sintomas não possam ser atribuídos a outra condição fisiológica ou uso de substâncias.

Pelas razões acima, entre outras, o diagnóstico de depressão deve ser feito por um profissional capacitado, capaz de contextualizar a presença de sintomas e afastar a presença de outras doenças casuando os sintomas. O diagnóstico se baseia na história clínica do paciente; exames adicionais podem ser solicitados pelo médico para investigação de outras explicações possíveis para os sintomas (hipotireoidismo, por exemplo).

Finalmente, convém reiterar que o transtorno depressivo maior é um transtorno psiquiátrico sério e muito frequente na população. Por isso, na presença de alguns dos sintomas descritos, é importante superar o estigma da doença e procurar orientação médica. Somente esse profissional poderá realizar um diagnóstico seguro e encaminhar o paciente para o melhor tratamento, evitando sofrimento pessoal e prejuízos na vida social e profissional do indivíduo.

Referências

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª Ed. (DSM-5).

Kaplan & Sadok – Compêndio de Psiquiatria: Ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11ª Edição, 2017.

Hamilton Depression Rating Scale (HDRS). http://dcf.psychiatry.ufl.edu/files/2011/05/HAMILTON-DEPRESSION.pdf

Beck AT, Beamesderfer A. Assessment of depression: the depression inventory. Mod Probl Pharmacopsychiatry. 1974;7:151-69.  

www.ic.unicamp.br/~wainer/cursos/2s2008/ia/insonia/Beck%20depressao.doc

 

Escala de avaliação do risco de suicídio de Columbia (C-SSRS). https://www.kandelscreen.com/questionnaire/rating-scale/columbia/

Montgomery-Asberg Depression Scale (MADRS). https://psychology-tools.com/montgomery-asberg-depression-rating-scale/

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