Texto por:
Carlos Alberto Molina Jaro
Jamilla Mariana de Oliveira Gonçalves
www.psiquiatriaweb.com/depressao/fibromialgia.html
O que é a fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica que afeta de 3 a 6 % da população mundial, estas cifras representam 200 a 400 milhões de pessoas que estão padecendo desta enfermidade. Aparentemente, é 10 vezes mais frequente nas mulheres.
É uma síndrome incluída na Classificação Internacional de Doenças como um Transtorno dos tecidos moles e categorizada dentro de Doenças do sistema osteomuscular e do Tecido conjuntivo.
Os tecidos moles afetados são músculos, ligamentos e tendões.
A fibromialgia foi durante muito tempo considerada um transtorno psiquiátrico somatoforme com manifestações físicas questionáveis ou de difícil comprovação.
No entanto estudos recentes demonstram que nesta enfermidade há a presença de dor excessiva independentemente de fatores psíquicos, embora seja muito comum que se apresentem de forma concomitante, sendo a depressão um dos fatores psíquicos que se apresentam de forma mais frequente.
É importante considerar que como em todas as enfermidades crônicas, o desgaste emocional e físico do paciente em conjunto com fatores de ordem genética e ambientais acabam levando ao desenvolvimento ou à manifestação de transtornos mentais como transtorno depressivo e ansioso.
Quais as principais manifestações?
- Dor difusa que se apresenta com maior intensidade em áreas como pescoço, ombros e costas, no entanto pode apresentar-se em múltiplas regiões dolorosas que se denominam tender points
- Cansaço e fadiga
- Distúrbios do sono
- Falta de concentração e diminuição na capacidade de memória
- Desânimo e alterações do estado de ânimo
- Rigidez matinal
A fibromialgia comumente apresenta-se de forma concomitante com 1 ou mais comorbidades como:
- Síndrome do cólon irritável
- Endometriose
- Síndrome de fadiga crônica
- Lombalgia crônica
- Cefaleia crônica
- Transtornos neurológicos e/ou imunológicos
- Transtornos da motilidade intestinal
- Disfunção da articulação temporomandibular
Qual a causa da fibromialgia?
No momento não há a comprovação de uma causa ou causas específicas, no entanto se relaciona com:
- Possível desregulação do Sistema nervoso levando a uma amplificação da transmissão e da percepção de dor
- Disfunção neuro-imuno-endócrina com resposta exagerada ao estresse
- Alteração na quantidade de neurotransmissores e hormônios importantes como serotonina, acetilcolina, cortisol, melatonina, GABA e substância P
- Alteração na produção de aminoácidos e interleucinas
- Distúrbios na qualidade e quantidade do sono
- Causas genéticas
Há alguns fatores reconhecidos por desencadear a manifestação da enfermidade, que são:
- Processos dolorosos
- Situações estressantes que incluem cirurgias ou traumas
- Processos infecciosos
- Condições psicológicas
- Uso de medicamentos como corticosteróides
Cómo se faz o diagnóstico?
O diagnóstico é baseado em critérios clínicos, devido à ausência de exames complementares que identifiquem a enfermidade.
Os critérios diagnósticos comumente utilizados são:
- Índice de dor generalizada com sensibilização exagerada em pelo menos 11 das 18 áreas anatômicas pré-estabelecidas como tender points
- Índice de gravidade dos sintomas
- Estes sintomas têm que apresentar-se com a mesma intensidade por durante ao menos três meses
- O paciente não pode padecer outras patologias que possam explicar a origem da dor
Qual é o tratamento?
Atualmente não existe cura para a fibromialgia, no entanto existem tratamentos que diminuem os níveis de dor e melhoram a qualidade de vida do paciente.
O tratamento para fibromialgia é multidisciplinar e inclui fármacos, psicoterapia e exercício físico aeróbico.
- Fármacos: Como a Pregabalina e Duloxetina.
Esses fármacos são utilizados para reduzir a dor, fadiga e distúrbios do sono.
Os anti-inflamatórios não hormonais não são recomendados, assim como os corticosteroides.
Também têm sido empregados analgésicos opioides como Tramadol e indutores do sono como Zolpidem.
- Atividade física:
Aumenta os níveis de serotonina e outros neurotransmissores que contribuem para diminuir a dor, a qualidade do sono, a sensação de cansaço e a ansiedade.
- Psicoterapia:
Ajuda o paciente a lidar com seus sintomas físicos e psicológicos assim como com sua integração social.
Hidroterapia, acupuntura, quiropraxia, massagem e homeopatia são abordagens terapêuticas que têm apresentado resultados positivos mas que até o momento não têm comprovação científica na melhora do paciente com fibromialgia devido ao número limitado de estudos sobre estes tratamentos para esta enfermidade.
A individualização do tratamento e a participação ativa do paciente no processo são fundamentais para que o resultado do esquema empregado seja satisfatório.
Referências
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- Lopes, Jose Marques, PHD. Fibromyalgia Prevalent in Patients with Rheumatological Conditions, Review Finds. In: Fibromyalgia News Today. Fibromyalgianews.com; 2018. https://fibromyalgianewstoday.com/2018/05/30/fibromyalgia-prevalent-rheumatological-disorders-review-finds/
- Marques, Amelia Pasqual; do Espirito Santo, Adriana de Souza; Berssaneti, Ana Assumpção; Matsutani, Luciana Akemi; Yuan, Susan Lee King. A prevalência de fibromialgia: atualização da revisão de literatura. In: Revista Brasileira de Reumatologia, Sociedade Brasileira de Reumatologia. Volume 57, Issue 4, July–August 2017, Pages 356-363. Elseviere Editora Ltda; 2017.m https://www.sciencedirect.com/science/article/
- Kiesel, Laura. Chronic pain: The “invisible” disability. In: Harvard Health Blog, Harvard Medical School. Harvard Health Publishing; 2017. https://www.health.harvard.edu/blog/chronic-pain-the-invisible-disability-2017042811360



